Talvez pelas proporções continentais do Brasil, talvez por uma cultura arraigada ou até por falta de iniciativa, há aqui quase um abismo entre o campo e a cidade, entre o cacaueiro e a barra de chocolate, entre o homem que planta a semente e o homem que consome as pepitas. 
Quando um produtor de cacau de Ilhéus (Bahia) vê o resultado de todo o seu trabalho na prateleira de uma loja em São Paulo, é, então, um momento que vale registrar (e brindar!). 
Um deles foi o simpático Orlantildes Santos Pereira, de 62 anos. Produtor de Ilhéus (Bahia), conta que ficou muito feliz durante a visita.
“Sou de uma família de produtores de cacau. Meu pai é. Meu avô era. E eu sou. Nasci em uma roça de cacau, está no sangue. É uma atividade trabalhosa, mas muito compensadora. Quando a gente vê o resultado daquilo que a gente cultiva com tanto carinho, com tanto cuidado, transformado em um produto de tanta qualidade, a gente fica muito feliz. Estou até meio perdido com tanta coisa gostosa. Eu não esperava que fosse chegar tão longe, ver o meu cacau transformado em algo tão fino, tão chique. Estou muito feliz.” 

Também da terceira geração de produtores de cacau em Ilhéus, Guto Novaes, de 48 anos, esteve na loja.
“A gente fica orgulhoso porque, para sermos aprovados na dengo, é preciso fazer um cacau de excelente qualidade e seguir uma série de critérios. Desde uma fermentação e secagem muito bem feita, uma limpeza rigorosa das amêndoas, uma seleção criteriosa... Enfim, tem que ter toda uma dedicação. Não é tarefa fácil ser um produtor da dengo, porque ela faz um produto de qualidade, mas exige qualidade em troca. E isso estimula você a se aprimorar e a produzir melhor.” 
“Eu só tinha visto as lojas por vídeo, é minha primeira visita. Mas o Estevan já esteve em Ilhéus e levou um bocado de chocolate pra gente fazer degustação. Realmente, é uma delícia! E as pepitas são maravilhosas!” 
 
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